terça-feira, 26 de novembro de 2013

Entrevista a Teresa Lopes Vieira

terça-feira, 26 de novembro de 2013
Esta semana entrevistámos Teresa Lopes Vieira, autora de "Os Diários da Mulher Peter Pan", "Gato Persa Social Club" e "O Albatroz":

HT: A Teresa é formada em Direito? Quando e como é que decidiu dedicar-se à escrita?
Teresa L. Vieira:
Quando andava na faculdade, já escrevia umas coisas, mas nada “a sério” no sentido profissional do termo. Tinha um blogue e comecei a ver que a aceitação era bastante boa. Com 19 anos, comecei a ir fazer stand up comedy com os meus próprios textos. Mas mais do que imaginar, queria que me acontecessem coisas. Foi só depois de uma série de viagens pela América do Sul e Europa que decidi que podia escrever. Estava a viver em Amesterdão, fui trabalhar para a recepção de um hotel de egípcios. Gato Persa Social Club, o meu segundo livro, é baseado na proposta que o meu patrão me fez, na altura, de casar com o filho dele por dinheiro.

HT: Tem algum horário estabelecido para escrever ou fá-lo quando tem inspiração?
Teresa L. Vieira:
Se a minha profissão fosse só escrever, provavelmente poderia ter um horário. Como tenho outras actividades, é tudo mais caótico. A inspiração é um mito.

HT: Os seus dois primeiros livros passam-se fora de Portugal. As ideias surgiram depois de ter feito as viagens ao locais em causa, ou fez as viagens como parte da investigação para os livros?
Teresa L. Vieira:
A única viagem de investigação que fiz foi ao Egipto, logo antes da Revolução Árabe, para o Gato Persa Social Club. Quanto ao resto, apenas estava lá, porque acho que cada um de nós acaba às tantas por saber quais são os sítios de que precisa. Foi uma escolha pessoal, que depois arranjei maneira de tornar profissional através de vários trabalhos (servir à mesa, trabalhar em hotéis, dar aulas), a escrita foi um deles.

HT: Este último livro, O Albatroz, passa-se em Portugal. Quer falar-nos um pouco dele?
Teresa L. Vieira:
É sobre um homem a quem tudo corre mal e que de repente se fecha em casa do pai morto, por nenhuma razão aparente. Mas os outros não o deixam em paz e não param de o visitar, com as suas histórias, que circulam e turbilhonam num novelo em que ele se vai enrolar mais e mais, até à desgraça. Não sai dali e a casa dele torna-se o mundo. Há a ex-namorada, a rapariga das pizzas e principalmente a irmã, a sua principal antagonista e a pessoa com quem ele vai ter de reconstruir a relação. É um retrato social de uma geração (a minha, dos 30) e a resposta à questão de saber o que acontece quando se perde tudo.

HT: Quais as suas referências em termos literários?
Teresa L. Vieira: Suponho que comecei a escrever por causa do Baudelaire. Havia algo de irremediavelmente deprimente nele, e auto-condescendente, que me agradava. Zweig e Kafka, por causa da possibilidade da abstracção. Ainda hoje me sinto marcada por um livro que me faz pensar: “ah, afinal é possível fazer isto!”.
Depois há o inevitável Eça. Acho que é muito importante ler o Realismo, para depois conseguir sair dele. Por exemplo, para partir para Joyce.

HT: Para finalizar, já está a trabalhar num próximo livro?
Teresa L. Vieira:
Já. É louco e maravilhoso.
 

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