sexta-feira, 25 de julho de 2014

Entrevista a Filipe L. S. Monteiro

sexta-feira, 25 de julho de 2014
Hoje temos como convidado o autor Filipe L. S. Monteiro, a quem agradeço mais uma vez esta entrevista.

HT: Sei que trabalhou muitos anos na indústria e abandonou essa atividade para se dedicar, entre outras coisas, à escrita. O que o levou a tomar essa decisão?
Filipe L. S. Monteiro: O que verdadeiramente me retirou da indústria foi um problema de saúde, até porque a escrita do meu livro teve início comigo ainda a trabalhar na Sanitana, em Anadia. Isto é, não seriam atividades incompatíveis. Contudo, foi, de facto, o meu forçado abandono da minha profissão, enquanto químico, que me permitiu dedicar-me mais à escrita. Escrever era uma paixão de infância e agora tinha tempo para isso...

HT: Lançou três livros para o público infanto-juvenil e agora um romance de ficção aventura. Qual dos géneros lhe dá mais prazer escrever?
Filipe L. S. Monteiro: Na verdade, quando iniciei o romance "O segredo dos Candeeiros", estava muito longe de imaginar que alguma vez escreveria algo para as crianças, muito menos com ilustrações. Contudo, o desabafo feito pela Ana Beatriz Marques (sobrinha do meu irmão que, na altura, ainda estava a tirar o seu curso de Arte e Design em Coimbra), dizendo que o seu sonho seria o de ilustrar livros infantis, fez-me lançar-lhe esse desafio. Abriu-se assim o caminho para "O menino que sonhava salvar o mundo", agora em terceira edição, e para "Mestre Carbono, o cientista".
Já agora, uma correção: escrevi três livros infanto-juvenis, mas ainda só "O menino..." é que foi lançado. "Mestre Carbono..." está em fase de análise critica por especialistas neste género de literatura, para o enviar para a editora nestes próximos tempos. O terceiro livro, "O brinquedo que queria que brincassem com ele", aguarda pela disponibilidade de uma nova ilustradora com quem falei, já que, entretanto, a Ana Beatriz iniciou a sua atividade profissional em Lisboa e "desistiu" das ilustrações que entretanto tinha iniciado para este terceiro livro.
Agora, respondendo verdadeiramente à questão, confesso que retiro igual prazer num e noutro género! A escolher, talvez o romance, pois dependo apenas de mim próprio, e da minha imaginação...

HT: Quer falar-nos um pouco deste seu último livro “O Segredo dos Candeeiros”?
Filipe L. S. Monteiro: Trata-se de um romance ficcionado, de aventura, onde procuro ter os vários elementos que caracterizam uma boa história: ação, mistério, aventura, descobertas, violência (mas pouca), romance, sexo, amor... Enfim, os principais ingredientes que nos transportem para dentro da história e nos identifiquem com os personagens... Não será fácil resumir o livro de mais de 600 páginas em meia dúzia de linhas... Mas irei tentar! 
A história tem origem com um casal e os seus sobrinhos que planeiam umas férias na Nazaré, pela proximidade daquela estância balnear à área da Serra dos Candeeiros e principalmente às grutas de Mira d'Aire, onde souberam terem surgido alguns achados ancestrais e misteriosos. José e Filipa, os sobrinhos André, Rafa e Ana Sofia, o cão Doc, e Andreia, uma jovem que conhecem nessas férias em Nazaré, envolvem-se assim numa aventura que os leva pelas profundezas das grutas de Mira de Aire, pelas paisagens da Serra dos Candeeiros e pelos meandros dos túneis do CERN, na tentativa de decifrarem aqueles estranhos símbolos que têm sido encontrados um pouco por toda a parte, mas com especial relevo naquela zona dos Candeeiros.
José é um reputado cientista de química numa prestigiada universidade do país, que mantém ligações estreitas ao Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN). Filipa, a sua esposa, licenciada em Turismo, é gestora de uma rede de casas de turismo rural, e embarca na aventura mais pela “pressão” exercida pelos sobrinhos, apesar de também apreciar um bom mistério. André, Rafa e Ana Sofia, os sobrinhos, são grandes entusiastas por mistérios, charadas e enigmas. André, o mais velho, é estudante de doutoramento em nanotecnologia. Rafa, seu irmão, é estudante de mestrado em física atómica. Finalmente Ana Sofia, sobrinha de Filipa, enveredou por uma carreira artística na música clássica e canto lírico. Nesta aventura são auxiliados pelo cão Doc, um castro laboreiro que costuma acompanhar os donos nas suas férias. Também por Andreia, uma jovem da Nazaré que conheceram nessas férias, uma apaixonada pela arqueologia, e que os guia pelas profundezas das grutas de Mira de Aire por as conhecer particularmente bem.
Ao ritmo das diversas descobertas que vão surgindo um pouco por todo o mundo, os nossos heróis aventuram-se pelas paisagens da Serra dos Candeeiros e pelo interior das grutas de Mira d’Aire, na tentativa de decifrarem os estranhos símbolos à medida que vão sendo encontrados, trabalhando em conjunto com a equipa do CERN liderada por Thomas Merrick, amigo pessoal de José e número dois na hierarquia daquele centro de investigação europeu. O conhecimento daquele segredo milenar permitirá, a quem o detiver, o controlo da velocidade de rotação da Terra e do sentido do seu eixo polar, capacitando-os de provocar enormes tornados e terríveis furacões sobre vastas e selecionadas áreas do planeta.
Numa corrida contra o tempo, caberá a José e ao seu grupo deslindar os misteriosos escritos pré-diluvianos, procurando estar sempre um passo à frente da poderosa Organização criminosa que também persegue o conhecimento deste segredo. Eles sabem que a perda da corrida poderá causar ao mundo consequências desastrosas, uma simples distração trar-lhes-á consequências fatais! É que os elementos da Organização vigiam-nos, atentamente, nas profundezas da gruta…
Maria e Tomé, dois jovens que têm tanto de atraentes como de perigosos, membros ativos da sinistra Organização, aproximam-se dos elementos mais jovens da família portuguesa, procurando saber o que já conhecem sobre este segredo ancestral, não hesitando em seguir, raptar e agredi-los, para assegurar que a Organização não perca o controlo da situação. Nesta demanda, são coadjuvados por um homem sinistro, detentor de um acentuado estrabismo e uma feia cicatriz que lhe desfigura ainda mais o seu rosto, possuidor de uma violência extrema e aptidão para desempenhar as mais obscuras missões da Organização.
É este homem, Bill Zarolho, que vigia atentamente a escuridão das grutas, quem os segue até ao CERN, nos seus últimos passos para o deslindar do mistério. Raptando as jovens mulheres do grupo, Sofia e Andreia, procura dessa forma obrigar o grupo dos investigadores a abandonarem as suas pesquisas. Contudo, num ato de coragem e alguma rebeldia, os seus jovens amigos, André e Rafa, conseguem libertá-las das garras do inimigo, acabando por ficarem feridos e nas mãos dos perigosos bandidos (Bill e Tomé, que entretanto se lhe juntara).
Fugindo pelos emaranhados túneis no subsolo do Centro, as jovens conseguem encontrar o grupo de segurança que as procurava, levando-os até aos seus raptores e conseguindo libertar os amigos, acabando os facínoras por ser presos e toda a Organização desmembrada. Libertos dessa “sombra sinistra”, os cientistas do CERN, sempre ajudados pela família portuguesa, acabam mesmo por deslindar todo o segredo…
Nesta história, procurei criar um enredo que fosse cientificamente plausível, e em que queria introduzir alguns factos menos conhecidos do público, que lhes "acrescentasse" alguma “informação cultural”. Por exemplo, faço referência a alguns OOPArt's (isto é, os "Out Of Place Artifacts", ou "artefactos encontrados fora do lugar", artigos que aparentemente são avançados para a sua época, sendo encontrados onde não fazem sentido estar), que existem mesmo, são verdadeiros. Por exemplo, o Disco de Faistos (ou Festos). Também algumas teorias que são mesmo defendidas por vários autores. Mas as interpretações que delas faço são resultado da minha imaginação. No final do livro apresento uma "Nota do Autor", onde faço referência a alguns destes dados. Aliás, se me permite, apresento aqui um excerto dessa Nota. Ah! E já agora, refiro que todo o livro foi escrito de acordo com o novo acordo ortográfico, mesmo não estando eu de acordo com o acordo... (risos)
"NOTA DO AUTOR
O Segredo dos Candeeiros é uma obra de ficção. Os nomes, personagens, lugares e incidentes descritos na história são produto da minha imaginação, ou foram ficcionados. (...) 
Nesta obra, introduzi todo “um novo CERN”, (...) apresentando-o não apenas como “o maior laboratório de física de partículas” (...).
Se é verdade que alguns dos dados que aqui referi são, efetivamente, reais (foi no CERN que foi “criada” a world wide web, como surge na história, bem como alguns dos dados nela referidos), na sua grande maioria não passa de pura invenção. Nenhum dos elementos do grupo referido existe; não foram encontrados achados que comprovem a existência do povo atlante (apesar de muito do texto utilizado ter tido como referência alguns autores que publicaram livros fazendo referências alusivas a esse povo – e que fui indicando em nota de rodapé); não existe nenhuma “poderosa e sinistra Organização” que detém o poder de alterar a velocidade de rotação da Terra ou a sua inclinação polar. Mas muitos dos dados científicos que fui indicando aquando da apresentação dos personagens desta história (José, Rafa, André…) são verdadeiros, apenas os ficcionando na sua participação nessas descobertas. Assim, o Bosão de Higgs foi já, efetivamente, descoberto; o projeto “Utility Fog” (ou “Névoa Útil”) foi mesmo sugerido pelo Dr. John Storrs Hall, em 1993 (…).

HT: Geralmente temos a ideia que a escrita anda associada à leitura. Gosta de ler? Em caso afirmativo, quais os seus escritores de referência?
Filipe L. S. Monteiro: E é uma ideia correta! Duvido que haja um autor que, antes de o ser, não seja um leitor. No meu caso, ainda hoje me considero primeiramente um leitor, pois leio muito mais que aquilo que escrevo. Escritores de referência? Tenho muitos e de vários géneros. Desde os mais clássicos Hemingway, Steinbeck ou Kafka, os mais filosóficos (e talvez "menos tragáveis") Nietzsche ou Rousseau, os mais "comerciais" Dan Brown, Daniel Silva ou o nosso português José Rodrigues dos Santos, até, claro, aos nobilizados Saramago (de quem gosto imenso!) ou García Márquez. Mas não poderia deixar de recomendar Gonçalo M. Tavares, Carlos Ruiz Zafón (de quem não perco um!) e, claro, aquele que até hoje tenho como talvez o melhor livro que li - "A vigésima quinta hora", do pouco conhecido (em Portugal) autor romeno Virgil Gheorgiu. Sim, leio muito e de tudo um pouco… Até Walt Disney, claro…

HT: Para terminar, já está a trabalhar num novo livro? Se sim, pode levantar-nos a pontinha do véu?
Filipe L. S. Monteiro: Estou, claro. Não num, mas em três... ;)
Um, já em fase da "primeira revisão séria" (isto porque o meu processo criativo passa por três fases: primeiro, manuscrevo, isto é, vou escrevendo a história num caderno, com esferográfica; depois, passo para o computador e imprimo; por último, faço a primeira revisão séria. Depois de introduzir as alterações que sempre vou fazendo em cada fase, entrego a alguns amigos para o lerem e, claro, anotarem também as suas observações. Só depois é que avançará para a editora!). É um novo romance: "Os livros da droga". Aqui, iremos acompanhar dois tempos distintos de um famoso escritor (ficcional, claro), saltitando entre as suas memórias de infância e o seu dia a dia, em que se vê confrontado na disputa entre duas editoras brasileiras pela edição do seu novo romance. Nesta disputa, o dono de uma delas, um homem sem escrúpulos, tudo faz para que o autor edite com eles, ameaçando a família e ao próprio escritor, descobrindo este no final que, por detrás dessas edições, se escondia uma rede de tráfego de droga à escala mundial.
Um segundo, já iniciado em processo de manuscrito, provavelmente irá dar origem a uma série de aventuras. "As aventuras do mágico Phil" levar-nos-á a conhecer as aventuras de um menino destemido e que pratica ilusionismo, e onde irá desvendar alguns segredos que lhe vão surgindo nas suas férias.
Por último, um terceiro, mais sério, e em fase de "estrutura mental" (isto é, estou a reunir dados para falar a linguagem do tema), onde irei apresentar um caso de vida, de sobrevivência, de luta contra um cancro. "T4 N1 Mx - sobrevivi!" será um livro em estilo biográfico... E por agora é tudo!

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