segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entrevista a Francelina Oliveira

segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Esta semana entrevistei Francelina Oliveira, autora do primeiro livro português sobre assédio organizacional.
Muito Obrigada à Francelina pela entrevista.

HT: O seu livro retrata um tema bastante delicado, o assédio organizacional. Como surgiu a ideia de escrever sobre isto. 
Francelina Oliveira: Não sou escritora. Eu fiz um trabalho sobre esta matéria sem pensar que o ia editar. Surgiu fazê-lo por insistência de algumas pessoas e porque me convenceram que seria egoísmo de minha parte ter estudado um tema que afeta diretamente muitos trabalhadores e guardar a informação comigo e não a divulgar.
O tema não é novo, o estudo sim. Vivemos numa sociedade do ter, e do parecer ser, muita hipocrisia e com falsos moralismos. Todos sabemos de um ou outro caso, sentimos é pudor e receio de darmos alguns passos para combater um problema que é bem mais sério e grave mas preferimos negligenciar. É urgente trabalhar esta problemática. 

HT: Sei que fez várias entrevistas para esta obra. Lidar directamente com estes casos afectou-a? 
Francelina Oliveira: Claro que sim. Afetou e muito. Não fico indiferente a esta matéria.

HT: Este costuma ser um assunto tabu. Acha que em Portugal se poderia fazer mais pelas vítimas de assédio organizacional? 
Francelina Oliveira: A violência domestica também era tabu, todavia já há algum apoio nesse sentido. Há pouco mais de 30 anos, em Portugal, o homem podia matar a mulher por questões de honra. A sociedade tem evoluído ainda que com muitas raízes machistas e preconceituosas. O meio organizacional é um terreno fértil para o assédio, quer moral, quer sexual, até porque o tecido empresarial português é constituído, ainda por um grupo considerável, de micro e pequenas empresas, cujo a entidade patronal é constituída por um elemento masculino com pouca formação académica e educado sob orientação machista, onde a figura feminina é tratada com discriminação, por exemplo em relação aos ordenados e ao aspeto sexual e não só de género. 
A mudança deve começar com a educação para a igualdade, para o respeito com os outros, por si próprio e culminar com condutas equânimes, ainda que se possa e se deva recorrer há força da Lei, se para tal for necessário, mas para isso é preciso que haja e que funcione.   
Ainda não temos legislação suficiente e não temos sobretudo formação na matéria e gabinetes direcionados para o problema, mas estou convencida que vai mudar a curto prazo. 

HT: Que conselhos dá a alguém que esteja a ser vítima de assédio organizacional? 
Francelina Oliveira: No livro tem alguns conselhos que a vítima poderá adequar ao seu caso. No entanto, posso indicar para: não se isolarem e para procurarem ajuda, todavia convém o(a) trabalhador(a) saber mais sobre estas questões para se precaverem, daí a formação ser necessária.

HT: Mudando um pouco de assunto, gosta de ler? Se sim, quais os seus autores preferidos. 
Francelina Oliveira: Basicamente leio tudo o que me aparece pela frente, mas também desisto com alguma facilidade se o texto não me interessar. Hoje há uma variedade enorme de opções literárias. Obviamente que há temas que me interessam mais. Eu gosto sobretudo de leitura sobre a sociedade, sobre pessoas e sobre comportamentos. 
Quando estive a trabalhar o tema do meu livro, li muitos autores e trabalhos sobre a matéria em questão, por exemplo: Marie –France-Hirigoyen e Isabel Ribeiro Parreira, entre outros. Atualmente estou a ler dois autores portuguese: Miguel Sousa Tavares e Helena Sacadura Cabral. Dos clássicos gosto muito do Eça de Queirós. Os livros que me marcaram pela simplicidade e pelo ensinamento foram: O Principezinho de Antoine De Saint-Exupéry e o Alquimista do Paulo Coelho.

HT: Para terminar, pensa voltar a escrever ou esta foi uma experiência única? 
Francelina Oliveira: Escrevo sempre, não significa que edite. Neste momento tenho um texto quase pronto que daria um livro. Também sobre comportamentos organizacionais, e que a todos diz respeito, ainda que o tema seja outro. Ainda não está completamente pronto, e também não sei se vai ser editado, se tiver patrocínio de alguma empresa, viabiliza o processo nesse sentido.  

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