terça-feira, 23 de junho de 2015

Entrevista a Sofia Ferros

terça-feira, 23 de junho de 2015
Depois de uns dias de ausência, devido ao excesso de trabalho, voltamos às entrevistas, esta semana com Sofia Ferros, autora do livro "AMOR entre GUERRAS".
Muito obrigada à Sofia pela disponibilidade e simpatia com que respondeu às minhas perguntas.

HT: A Sofia é licenciada em Gestão de Empresas e trabalha na área de marketing, certo? 
Sofia Ferros: Sim, licenciei-me na Universidade Católica Portuguesa e comecei a trabalhar como técnica comercial numa empresa nacional, agente de um dos maiores produtores mundiais de cartões bancários e de telecomunicações. Fazia a gestão de projetos e apoiava os comerciais na parte técnica da venda de produtos complexos, entre os quais cartões chip, que há dezassete anos eram ainda uma novidade no mercado. Mais tarde trabalhei em agências de publicidade e comunicação, bem como numa empresa de consultoria. Há quatro anos, quando fui viver para a Cidade do Cabo, na África do Sul, constituí uma empresa de marketing digital, após ter concluído uma pós-graduação nesta área.

HT: Como é que surgiu a ideia de escrever um romance?
Sofia Ferros: Quando era criança queria ser escritora, mas durante a adolescência surgiram outros interesses e optei pela Gestão de Empresas.
Em 2008, visitei a minha família francesa e o Château de Tourlaville, palácio onde os meus bisavós se haviam apaixonado, durante a Primeira Guerra Mundial.
As primas da minha avó, ambas sem descendência e já na casa dos noventa, contaram-me vários pormenores dessa história de família que quis registar para as gerações futuras.
À medida que escrevia, aumentava a vontade de investigar as razões por trás das escolhas pouco comuns do casal, particularmente da minha bisavó, uma mulher de pensamento avançado para a época, que queria ser médica e se interessava por questões políticas. Mais tarde, concluí que a história destes meus antepassados tinha conteúdo para um romance e lancei-me no desafio de concretizar um sonho antigo e escrever um livro.

HT: Para quem, como eu, ainda não leu este “Amor entre Guerras”, pode falar-nos um bocadinho sobre ele?
Sofia Ferros: Começa em 1916, quando a Alemanha declara guerra a Portugal. Miguel, um jovem médico do Porto integra o Corpo Expedicionário Português e parte para a frente de combate em França, onde se encontra quando os alemães lançam um ataque devastador que aniquila as tropas portuguesas — a Batalha de La Lys. Para cumprir uma promessa feita a um amigo no campo de batalha, Miguel desloca-se a Cherbourg durante uma licença. Conhece Alexandrine no Château de Tourlaville, que havia sido transformado em hospital de guerra.
Sobrevivem à guerra, casam-se e moram em Paris durante os meses conturbados em que decorre a Conferência de Paz. Mais tarde, Miguel aceita uma oportunidade profissional em Lourenço Marques, Moçambique, onde o casal viverá longos anos. O romance termina com o deflagrar da Segunda Guerra Mundial.
Além da história de amor entre os protagonistas, este livro retrata a sociedade da época: a luta das mulheres pela emancipação e direito ao voto, a luta dos trabalhadores pelas oito horas de trabalho diário, a ascensão do comunismo e do fascismo, bem como o esforço que Portugal fez para povoar as colónias e manter os territórios em África, numa época em que o trabalho forçado ainda era prática comum.

HT: O que mudou na sua vida depois da edição do livro? 
Sofia Ferros: Apesar do esforço e dedicação absoluta que a escrita deste romance exigiu, foi uma experiência fantástica. Tive o apoio de familiares e amigos, bem como da editora, Maria do Rosário Pedreira, e restante equipa da LeYa, com quem gostei muito de trabalhar. O ano de 2014 foi rico em novas experiências como, por exemplo, o lançamento de “Amor entre Guerras”, que decorreu nas lindíssimas Caves Manuelinas do Museu Militar e me deixou excelentes memórias que guardarei para sempre com carinho.
Contudo, foram as mensagens dos leitores, que me têm escrito a dizer o quanto gostaram do livro e a pedirem a continuação da história num segundo volume, que me fizeram tomar a decisão de me dedicar à escrita a tempo inteiro. O sentimento de realização que o contacto com os leitores me proporciona é incomparável. Apesar de sempre ter abraçado com grande entusiasmo todos os desafios profissionais que aceitei, nunca senti uma recompensa semelhante.

HT: Gosta de ler? Em caso afirmativo, quais os seus escritores de referência?
Sofia Ferros: Sim. Atualmente dedico parte do meu tempo de leitura a temas como a pesquisa histórica, produtividade, desenvolvimento pessoal, saúde e bem-estar.
No que se refere à ficção, prefiro romances históricos e alguns contemporâneos. Também gosto de poesia.
Além de Eça de Queirós e Fernando Pessoa, alguns dos meus escritores de referência são: Isabel Allende, Wilbur Smith (romances passados em África), Ken Follett e Nicholas Sparks.

HT: Para finalizar, uma pergunta que já é habitual nas nossas entrevistas: já pensa num próximo livro?
Sofia Ferros: Sim. O projeto inicial que apresentei à editora contemplava mais três livros. Contudo, nessa altura, nem a editora nem eu sabíamos se seriam para avançar.
Os outros volumes tratam do desenvolvimento da história desta família ao longo das gerações, num percurso que leva os leitores desde a Segunda Guerra Mundial – onde termina “Amor entre Guerras” – até aos dias de hoje. A ação passa-se entre a Europa e África, abarcando temas como a resistência em França, a espionagem em Lisboa e Lourenço Marques nos anos 40, a descolonização nos anos 70 e uma nova vaga de emigração para África em consequência da crise económico-financeira que atualmente asfixia Portugal.
Presentemente estou a realizar a pesquisa histórica para o segundo volume, passado durante a Segunda Guerra Mundial. Alexandrine e Michelle, sua filha, encontram-se em Paris, em junho de 1940. Os alemães derrotaram as tropas aliadas e estão às portas da cidade. Mãe e filha juntar-se-ão aos milhares de parisienses que fogem da capital a caminho da fronteira com Espanha, sob ataque de aviões inimigos. Os refugiados não esmorecem na tentativa de obter um visto que lhes permita atravessar os Pirenéus e chegar a Lisboa.
Devido à neutralidade de Portugal, nos anos seguintes, a capital do país transforma-se num centro cosmopolita de refugiados e espiões de variadíssimas nacionalidades. 

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