terça-feira, 29 de setembro de 2015

Entrevista a Mónica Canário

terça-feira, 29 de setembro de 2015
Esta semana a minha convidada para a rubrica entrevistas é Mónica Canário, autora do livro Vivo-te, e a quem agradeço mais uma vez a disponibilidade para responder às minhas perguntas.
Vamos ficar a conhecer um bocadinho melhor esta autora e a sua obra:

HT: É inevitável começar com esta pergunta: Como é que surgiu a ideia de publicar um livro?
Mónica Canário: Talvez esta resposta seja diferente de alguns autores mas o objectivo não era publicar um livro. Quando o comecei a escrever tinha 16 anos e não estava muito bem psicologicamente. A escrita deste livro veio depois de a minha professora de Português ter dito que eu devia investir mais nesta área. E assim fiz. Investi tudo e fiz da escrita o meu porto de abrigo. Podia ter corrido pior: o que era para ser um desabafo, um escape à realidade, acabou por ser uma resposta no futuro.
Mas sabe tão bem! Depois de me terem devolvido o livro de tantos concursos literários, de o ter posto na gaveta e de achar que não valia nada, a Chiado Editora apareceu (por iniciativa de uma amiga da família) e veio mexer com alguns fantasmas. Porque se sabe bem ver este objectivo realizado, também custa reviver os tempos que me fizeram escrevê-lo. O segredo aqui é não desistirmos de nós e encontrarmos apoio em quem realmente gosta e acredita em nós.

HT: Como correu o processo de edição?
Mónica Canário: Para quem esperou seis anos e meio desde a primeira palavra até ao livro em si, acho que poderia ter suportado bem cinco meses e meio, mas foi uma tortura! Depois de ter assinado o contrato com a Chiado Editora, já só pensava em ter o livro comigo. Como é óbvio, existiram muitos contratempos, está sempre tudo sujeito a aprovação do autor e o tempo que o livro está na gráfica parece não ter fim… Mas o mais difícil foi ter de pagar uma parte da edição. Tive de comprar 120 livros e na altura pensei “E agora? O que é que eu faço com isto? Será que algum dos meus amigos os quer comprar?”. Houve até uma altura em que achei que ia ter prendas de Natal e de aniversário para oferecer durante bastante tempo! Depois do lançamento percebi que 120 eram poucos para a procura que o livro estava a ter.

HT: Para quem, como eu, ainda não leu este livro, pode falar-nos um bocadinho sobre ele?
Mónica Canário: O “Vivo-te” é a história de uma rapariga de 17 anos, a Sophia, que no auge da sua juventude descobre que tem leucemia e ao mesmo tempo apaixona-se pelo Dinis. O início do livro explica como a Sophia é desapegada de sentimentos e que vive muito para a família e o seu grupo de amigos. No entanto, aparece o Dinis que vem mudá-la. Só que aparece numa altura menos boa da vida da dela.
A minha personagem favorita é, sem dúvida, a Mafalda (a melhor da Sophia). É uma lufada de ar fresco e de energia na história. Além disso, a própria personagem tem um significado muito importante e especial para mim.

HT: O que mudou na sua vida depois da publicação do livro?
Mónica Canário: Tudo! Eu tinha tudo muito bem estruturado, sabia o que queria e quando queria. Depois do contacto da Chiado Editora até ao lançamento do “Vivo-te” as coisas tornaram-se como um sonho: eu ia lançar um livro sim, mas ele ainda não era real (entenda-se “de papel”)! Depois do lançamento foi quando eu percebi que tinha sido a concretização de um sonho, que tudo era real. Foi aí que pensei “Ena Mónica, se calhar até és mesmo capaz de tudo”. Verdade seja dita, é um livro. E eu tenho 22 anos…
Acima de tudo, acho que as pessoas começaram a perceber que eu até tenho algum valor. Que até sou capaz de coisas engraçadas. Este livro foi um desafio para mim, mas é mais uma prova que eu tinha de dar ao mundo, algo do género “Eu estou. Vergo e choro muitas vezes. Tu até podes deitar-me abaixo todos os dias, mas eu não vou desistir de ti”.

HT: Para terminar, sei que ainda é muito cedo, mas não posso deixar de perguntar: já pensa num novo livro ou ainda está a “aproveitar” este?
Mónica Canário:  Por agora estou a aproveitar, até porque ainda há muito para fazer até chegar à 2ª edição. Vou ser tendenciosa e dizer que a ajuda de quem ler esta entrevista é preciosa para isso, uma vez que os 500 livros têm de ser vendidos até Setembro de 2016 para que tal aconteça. Decidi que é tempo de ir por metas: lança-se um livro, apresenta-se ao público, vende-se o que se tem e só depois se pensa na segunda edição. Relativamente a novos livros, tal como já disse, escrever foi sempre o meu porto de abrigo. Tenho duas histórias encaminhadas que serão terminadas assim que terminar a tese de mestrado. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos porque me vejo perfeitamente a conciliar a escrita com a investigação em Ciências Sociais. Até lá, vou escrevendo crónicas para um jornal online, o Ideias e Opiniões, e vou desabafando com o papel, que me lê, aceita e não me julga.

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