terça-feira, 29 de outubro de 2013

Entrevista ao Dr. João Magalhães

terça-feira, 29 de outubro de 2013
Esta semana vamos ficar a conhecer um pouco mais do Dr. João Magalhães, autor do livro "Quero Ser Médico".

HT: Quando é que decidiu que queria ser médico?
Dr. João Magalhães: Lembro-me bem da primeira vez em que senti interesse pela medicina. Foi no dia em que celebrei o meu sexto aniversário em Bedford, Inglaterra. Nesse dia, recebi como prenda dos meus avós um livro grande chamado “O NOSSO CORPO”. Lembro-me de ter ficado fascinado com a complexidade e a perfeição do nosso corpo, e creio que foi imerso nas páginas desse livro que terei sentido a aspiração a ser médico pela primeira vez.
No entanto, a decisão propriamente dita não nasceu num momento único e isolado. É uma ideia que vai crescendo e amadurecendo ao longo do tempo e à medida que se vai passando por diferentes experiências ao longo da vida.  

HT: Sei que fez voluntariado na Índia e em Moçambique. Qual a importância do voluntariado na formação de um médico?
Dr. João Magalhães: O voluntariado é extremamente importante para a formação médica pelo facto de corresponder ao verdadeiro cerne da medicina: querer ajudar o próximo. Dito isto, corresponde a uma decisão livre, solidária e voluntária para nutrir a essência da relação humana: a empatia.
O voluntariado dá-nos a oportunidade de participar, de forma livre e organizada, na solução dos problemas que afetam a sociedade em geral. Através dele, adquirimos um forte sentido de serviço e aprendemos a saber comunicar e a lidar com todo o tipo de pessoas. Para além disso, passamos a ter a noção clara de como devemos fazer um esforço para servir sem esperar nada em troca. Mesmo que por vezes, algumas pessoas não mostrem estar tão agradecidas como seria esperado, nunca devemos deixar que isso afete o nosso prazer em servir. Ajudar o próximo é uma necessidade totalmente inerente à condição humana e consequentemente, todos os médicos devem passar pela experiência de servir e ajudar per se, sem qualquer outra recompensa.
A medicina nasceu do desejo de ajudar o próximo. O desejo de ajudar o próximo nasceu muitos milhares de anos antes do primeiro salário.

HT: Como é que surgiu a ideia de escrever este livro?
Dr. João Magalhães: Em meados de 2007, no final do meu segundo ano de curso, o meu irmão mais velho, depois de já ter concluído uma licenciatura em bioquímica, de ter estado um ano a trabalhar numa empresa de consultoria em Lisboa, e de ter estado mais um ano a trabalhar ao serviço da fundação Clinton em Maputo, chegou a Portugal e deu-nos (a mim e à família) a notícia que tinha decidido mudar de rumo, e que se ia candidatar a medicina.
Uns escassos meses a seguir, uma prima minha que já tinha terminado o curso de gestão, e que tinha estado vários meses a realizar voluntariado na fundação Madre Teresa de Calcutá, na Índia, voltou de lá com uma grande vontade em candidatar-se a Medicina, e veio-me pedir uma opinião para a ajudar na sua escolha. “Achas que tenho perfil? Achas que devia tentar? Achas que vou gostar?”
Como-os conhecia bem e sabia que tinham os dois uma forte componente humana, incentivei ambos a seguir em frente com as suas candidaturas. E assim fizeram os dois. O meu irmão mais velho realizou o curso com grande motivação e terminou o curso este ano. Apesar da minha prima não ter ficado colocada, o facto é que ficou de consciência tranquila por ainda ter tentado.
No entanto, os conselhos e dicas que dei não ficaram apenas por aí. No início do meu quinto ano de curso, um casal amigo dos meus pais, pediu-me para ter uma conversa com um dos seus filhos, que estava prestes a iniciar o décimo ano, mas não sabia bem se era Medicina que queria.
Passado meio ano, pouco tempo antes de casar e partir de Erasmus para Berlim, voltei a encontrar uma situação bastante semelhante, dessa vez com um rapaz que já estava certo que queria Medicina, mas que queria que eu partilhasse com ele algumas dicas importantes para ter boas notas.
Foi nessa tarde, a meio do meu quinto ano, que o meu cérebro começou a moer lentamente: “Ei espera aí” “Será que isto não é coincidência a mais? “Tantas pessoas diferentes, a virem pedir conselhos, de idades tão diferentes e de áreas tão distintas?”...
A decisão propriamente dita acabou por ser numa viagem de metro nos arredores de Berlim. De repente, lembro-me de perguntar a mim próprio: “Porque é que não começas a escrever um livro?”
Nessa noite, deitei-me com a cabeça a explodir de ideias. A certa altura, após várias horas a revirar na cama, apercebi-me que não estava a ter muito sucesso a adormecer. Acabei por me levantar, pegar numa caneta e num papel, e anotar tudo até desfazer por completo essa tempestade cerebral.

HT: Quais as características que considera indispensáveis num candidato a médico?
Dr. João Magalhães: Empatia e conhecimento científico. Nessa ordem.
Mais vale existir empatia sem conhecimento, do que conhecimento sem empatia.
O cerne de todas as nossas decisões deve ser a empatia.
 
HT: O livro “Quero ser Médico” parece-me ser uma ferramenta bastante útil para quem quer seguir medicina. Pode falar-nos um bocadinho dos seus conteúdos?
Dr. João Magalhães: Neste livro, partilho conteúdos e conselhos que estão divididos entre os três capítulos principais: 1 - Porquê Medicina? A decisão; 2 - Como entrar em Medicina; 3- O curso de Medicina.
Na primeira parte do livro começo por apresentar os conceitos fundamentais da Medicina e contar como a Medicina evoluiu até aos dias de hoje. De seguida, apresento quais os pontos mais atrativos e quais as dúvidas mais comuns relativamente ao curso e à profissão médica. Esta parte também ajuda os mais indecisos a tomar uma decisão sobre o seu futuro.
Na segunda parte do livro, dou as dicas mais fundamentais para entrar em Medicina (ou qualquer outro curso com nota de acesso alta). Dou dicas sobre todos os pontos mais importantes, desde a escola e as aulas, ao estudo e às avaliações. Dei as dicas de modo a que os alunos nunca deixem de ter tempo para realizar outras atividades que também gostam. Esta parte também inclui algumas mensagens para os pais dos alunos.
Na terceira e última parte do livro explico a estrutura e conteúdo geral do curso de Medicina no nosso país, as suas características principais e também partilho algumas dicas importantes para realizar o curso com sucesso. O livro acaba a informar sobre as possibilidades de estudar medicina no estrangeiro e e sobre o que acontece depois de terminares o curso.
Ao todo, existe um total de 28 dicas concretas ao longo do livro. Para além de todas essas dicas, uma das grandes vantagens do livro é o facto de reunir uma série de outras ferramentas e informações importantes:  formas de acesso ao ensino superior, peso de cada avalição na nota de candidatura, rankings das melhores escolas, notas de acesso e vagas das faculdades de Medicina, websites úteis, entre muitas outras.

Muito Obrigada ao Dr. João Magalhães por nos ter concedido esta entrevista.

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