sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Entrevista a Nita Domingos

sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Hoje publicamos a entrevista que fizemos a Nita Domingos.
A Nita é um exemplo de mulher, que tem uma energia contagiante e um coração de ouro.
Podem acompanhar o dia a dia da Nita Domingos aqui.
Muito obrigada por ter respondido às nossas perguntas.

HT: A Nita não tem tido uma vida fácil, mas, apesar de todos os problemas de saúde, encara a vida de uma forma alegre e positiva. Como é que consegue manter esse espírito? 
Nita Domingos:
Tenho mais a ganhar com este estado de espírito, do que com o estado oposto ao meu. Sempre fui uma pessoa que ama a vida, acima de tudo. Ou seja, qualquer problema que surja, surge porque estou viva e enquanto estiver viva tenho a obrigação de lutar de um modo forte e corajoso.
Mantenho este espírito também devido a escolhas que fui fazendo, à maravilhosa família que tenho e às fortes amizades e inspirações que recebo! Sou muito abençoada! Tenho muita sorte, aliás, construo-a!
Mas é um trabalho diário, manter-me focada no bom e no belo da vida e desdramatizo muito.
Quando há algum problema, encaro-o sempre de frente, aí sou muito racional, nunca fico (só se não tiver outra hipótese) na angústia da espera ou adiantamento, sempre que posso encaro e vou direito a todas as soluções que possam existir. Sejam os meus (problemas), sejam daqueles que amo. Sou muito prática e não admito que se façam bichos de sete cabeças por coisas pequeninas. Isso a vida já me ensinou, não podemos perder tanto tempo com o que não interessa, ou ter dores desnecessárias. Um dia esse tempo que desperdiçámos outrora vai fazer falta para algo muito mais importante. Enquanto conseguirmos pensar e da cama levantar, há sempre a hipótese de mudar e recomeçar.

HT: Tem 23 anos e dois livros publicados, sendo que, o primeiro relata a sua própria história e a sua luta contra a Neurofibromatose tipo2. Como é que surgiu a ideia de escrever um livro?
Nita Domingos:
Eu sempre gostei imenso de escrever e ler, sempre foi o meu refúgio e digo sempre que escrever liberta-me. Sou uma pessoa que além de prática, sinto muito e em grandes doses, de modo que se não expresso o que penso e sinto acho que expludo. Quando escrevo sinto que as coisas ficam mais claras. Além disso, acredito na magia das palavras e das pontes que se criam entre quem escreve e quem lê. É algo tão puro e genuíno, não acha?
E depois claro, uma vez que passei por tanto, tinha de partilhar tudo o que aprendi e vivi, para que outros tivessem acesso às soluções que eu criei e perceberem como eu consegui. O meu primeiro livro, foi o meu primeiro sonho a sério. Quando o lancei, questionei-me e agora? E agora? Não há mais nada? E quando dei por mim já tinha uma pasta no computador a dizer: Segundo livro! Mas este (segundo) foi todo feito por mim. Fui eu que escrevi, que escolhi a capa, o titulo, sou eu que envio, que assino, que me entrego. Desde que nasceu até agora. Não é mais um livro nas prateleiras da FNAC, este é o meu coração a ser partilhado e a minha felicidade repartida. E foi por isso e tendo eu a actividade registada que o lancei. Dá muito mais trabalho assim, mas é muito melhor, estabelece-se laços com os leitores de um modo incrível e eu devoto-lhes toda a gratidão e torço para que sejam sempre mais e mais felizes.

HT: O que mudou na sua vida depois do lançamento dos livros?
Nita Domingos:
Quando lancei o primeiro e uma vez que tive o apoio da Querida Júlia (alguém que adoro, admiro e devo muito), as pessoas passaram-me a reconhecer na rua. Lembro-me de ir ao aeroporto e ver o Viver é Mágico (primeiro livro) na parte dos Best Sellers e de seguida uma senhora aproximar-se de mim e perguntar, se tinha sido eu a escrever e que já o tinha lido e tinha ficado emocionada. E ainda hoje falo com essa senhora! E também eu me emociono.
Os meus livros permitem-me um conhecimento muito mais elevado das pessoas e uma aproximação muito maior.
De resto não sei o que mudou mais, como sempre fiz outras coisas e como para lançar livros em Portugal (os novos autores) é um desafio gigante, acho que fiquei mais forte e com uma perspectiva muito maior deste mundo literário.

HT: Além da escrita, sei que lança todos os anos uma agenda, é voluntária e trabalha. Como é que consegue conjugar isso tudo?
Nita Domingos:
Não é nada fácil. Nos anos anteriores fiz as agendas, foram duas mil ao todo e tal como este livro “saíram de mim”, dediquei-me muito a elas. Este ano lamentavelmente não vou conseguir lançar.
Isto por vários motivos, nestes últimos tempos participei em cinco livros, escrevi o meu, trabalho em duas empresas, tenho uma criança de 12 anos a viver sozinha comigo (meu irmão) que precisa de apoio, de ajuda na escola, de educação, de tempo. Tenho ainda a parte do voluntariado, que quando me entrego, entrego totalmente e isso só se consegue com uma disponibilidade mental muito grande  e ultimamente a tirar um curso de contabilidade analítica e era impossível conseguir tudo, Os meus sonhos estavam a começar a atrapalhar-se demasiado, e eu não conseguia respirar entre eles nem sentir a sua beleza. Era uma pressão gigante, ter tudo pronto a correr, como exigem as agendas e eu sentia que não dava. Agora de sonhos tenho o meu livro, tenho os mimos (mimosbynitadomingos) e alguns projectos e workshops onde sou convidada, e se adiciono mais coisas, as outras perdem qualidade. Assim, para o ano, lá para Setembro haverá o caderno da felicidade! Ainda estou a pensar em moldes inovadores!
Consigo porque sou muito organizada, desdramatizada, aproveito todos os segundos (e viva as tecnologias) faço meditação e amo a vida! E tenho uma mãe inspiradora que me passou tudo isto!

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